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Dalai Lama

01 mar


Segunda a tradição do Tibet, os dalai lama são reconhecidos como a reencarnação do príncipe Chenrezig, o Avalokitesvara, o portador do lótus branco, que representa a compaixão. Sua Santidade, o Dalai Lama, é o líder temporal e espiritual do povo do Tibet.
Lhamo Thondup, o 14º Dalai Lama, nasceu numa família de camponeses. Aos dois anos foi reconhecido como sendo a reencarnação do 13º Dalai Lama, que o precedeu, segundo a tradição tibetana. Iniciou seus estudos aos seis anos. Mudou-se para Lhasa, a capital do Tibet, passando

a residir no Palácio de Potala, onde iniciou um longo preparo para sua missão. Em Lhasa realizou seus estudos preparatórios de história e filosofia e tornou-se líder espiritual do Tibet.
Com a invasão do Tibet pela China, em 1950, o Dalai Lama tornou-se chefe de Estado, passando a liderar as negociações pela soberania do Tibet. Aos 24 fez seus exames preliminares nas três universidades monásticas: Drepung, Sera e Gandre. No ano seguinte concluiu o doutorado em filosofia budista.
Ao contrário de seus predecessores, o Dalai Lama estabeleceu contato com dirigentes e líderes religiosos de todos o mundo. Após uma fracassada rebelião nacionalista, em 1959, o Dalai Lama fugiu para o exílio, na Índia. Foi seguido por 80 mil tibetanos.
A partir de 1960, o Dalai Lama passou a residir na cidade de Dharamsala, na Índia, que se tornou a sede do Governo Tibetano no Exílio. A cidade ficou conhecida como “pequena Lhasa”.
Durante os vinte anos seguintes, o Dalai Lama encetou esforços para encontrar uma solução pacífica para a independência do Tibet, embora o Governo Tibetano no Exílio e o governo da China não mantivesem relações diplomáticas. A partir de 1980, uma série de esforços diplomáticos foram realizados no sentido de favorecer a reaproximação entre os dois governos.
Em 1987 o Dalai Lama elaborou um plano de paz de cinco pontos para a libertação do Tibet, que foi rejeitado pelo governo chinês. O Dalai Lama tornou-se uma personalidade mundial, representando o esforço de paz entre os homens. Em 1989 recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

~ Biografia de Dalai Lama ~
Líder espiritual tibetano (1935). Sua Santidade o 14º
Dalai Lama Tenzin Gyatso nasce em uma família de agricultores na aldeia de Takster, no leste do Tibet, com o nome de Lhamo Thondup. Aos 2 anos é reconhecido por monges como a reencarnação do Dalai Lama, autoridade máxima do Budismo Tibetano. Os dalai lamas são tidos como reencarnações do príncipe Chenrezig, o Avalokitesvara, o portador do lótus branco, que representa a compaixão. Tenzin Gyatso é considerado a 14.ª reencarnação do príncipe. Aos 4 anos é separado da família, muda-se para o Palácio de Potala, em Lhasa, e é empossado como líder espiritual do Tibet. Passa, então, a se chamar Jampel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso. Após uma rigorosa preparação, que inclui o estudo do budismo, de história e filosofia, assume o poder político em 1950, ano em que o Tibet é ocupado pela China. Em 1959, depois do fracasso de uma rebelião nacionalista contra o governo chinês, exila-se na Índia.
Na época, Sua Santidade foi seguido por 80.000 tibetanos. Hoje, há mais de 120.000 no exílio. Desde 1960, o Dalai Lama reside em Dharamsala, Índia, conhecida como “Pequena Lhasa”, a sede do Governo Tibetano no exílio. Ganha o Prêmio Nobel da Paz de 1989, em reconhecimento pela sua campanha pacifista para acabar com a dominação chinesa no Tibet.

~ Em 1989, o Prêmio Nobel da Paz ~
A decisão do Comitê Norueguês de outorgar o Prêmio Nobel da Paz de 1989 a Sua Santidade, teve apoio e aplausos de todo o mundo, com exceção da China. A citação do Comitê afirma o seguinte: “O Comitê enfatiza que o Dalai Lama é merecedor desse prêmio por sua campanha pacifista pela autonomia do Tibet. Ele sempre diz que a solução pacífica baseada na tolerância e respeito mútuo é a única forma de preservar a história e a herança cultural de seu povo.”
No dia 10 de dezembro de 1989, Sua Santidade aceita o prêmio em nome dos oprimidos e também daqueles que lutam por um mundo de Paz para o povo tibetano. Ele disse na ocasião: “O prêmio reafirma nossa convicção de que com a verdade, coragem e determinação como nossas armas, o Tibet será libertado. Nossa luta deve ser sem violência e livre de ódio.”

~ Um simples monge budista ~
Sua Santidade costuma dizer, “Eu sou um simples monge budista, não mais, não menos.” Sua Santidade vive como um verdadeiro monge budista. Mora numa casa de campo em Dharamsala, Índia; acorda às 4 da manhã para meditar, em seguida põe em dia a sua agenda, dá audiências privadas e inicia os estudos religiosos e práticas cerimoniais. Ele termina o dia com muita oração. Falando de sua grande fonte de inspiração, freqüentemente cita um verso favorito, retirado dos ensinamentos seculares do sagrado Shantideva Budista:
Enquanto existir o espaço
Enquanto persistirem os seres sencientes
Que eu também viva Para dissipar as desgraças do mundo.
~ Budismo tibetano ~
O budismo tibetano surge no fim do século VIII, da fusão das tradições budista e hinduísta com o xamanismo. Seu chefe espiritual, o dalai lama, é considerado um bodhisattva (em sânscrito, o ser destinado à iluminação, o Buda da Compaixão).

~ Ensinamentos de Buda ~
Buda estabeleceu oito princípios ou Regras de Vida que devem ser observadas pelos seus seguidores… e por todos:
A Verdadeira Crença: é a crença de que a Verdade é o guia do Homem;
A Verdadeira Resolução: ser sempre calmo e nunca fazer dano a nenhuma criatura viva;
A Verdadeira Palavra: nunca mentir, nunca difamar ninguém e nunca usar linguagem grosseira ou áspera;
O Verdadeiro Comportamento: nunca roubar, nunca matar, e nunca fazer nada de que uma pessoa possa mais tarde arrepender-se ou envergonhar-se;
A Verdadeira Ocupação: nunca escolher uma ocupação que seja má, tal como falsificação, manejo de coisas roubadas e coisas semelhantes;
O Verdadeiro Esforço: procurar sempre o que é bom e afastar-se do que é mau;
A Verdadeira Contemplação: ser sempre calmo e não permitir-se pensamentos que sejam dominados pela alegria ou pela tristeza;
A Verdadeira Concentração: consegue-se quando todas as outras regras forem seguidas e uma pessoa tenha atingido o nível da paz perfeita.
Não Creiais em coisa alguma pelo fato de vos mostrarem o testemunho escrito de algum sábio antigo;
Não Creiais em coisa alguma com base na autoridade de mestres e sacerdotes;
Aquilo, Porém, que se enquadrar na vossa razão, e depois de minucioso estudo for confirmado pela vossa experiência, conduzindo ao vosso próprio bem e ao de todas as outras coisas vivas: A Isso aceitai como verdade;
Por Isso, pautai vossa conduta!

~ A Arte da Felicidade ~
Por Sua Santidade, o Dalai Lama
Acredito que o objetivo da nossa vida seja a busca da felicidade. Isso está claro. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta religião ou naquela, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto, acho que a motivação da nossa vida é a felicidade.
Quando você mantém um sentimento de compaixão, bondade e amor, algo abre automaticamente sua porta interna. Com isso, você pode se comunicar mais facilmente com as outras pessoas. E esse sentimento de calor cria uma espécie de abertura. Você descobre que todos os seres humanos são exatamente iguais a você e se torna capaz de se relacionar mais facilmente com eles. Isso lhe confere um espírito de amizade. Então há menos necessidade de esconder as coisas e, conseqüentemente, sentimentos de medo, dúvida e insegurança se dispersam automaticamente.
Na nossa vida diária, certamente aparecem problemas. Os maiores problemas em nossas vidas são aqueles que temos de enfrentar inevitavelmente, como a velhice, a doença e a morte. Tentar evitar nossos problemas ou simplesmente não pensar neles pode nos dar um alívio temporário, mas acho que há um modo melhor de lidar com eles. Se você enfrentar seu sofrimento diretamente, terá mais condições de avaliar a profundidade e a natureza do problema. Numa batalha, enquanto você ignorar as condições e a capacidade de combate do inimigo, estará completamente despreparado e paralisado pelo medo. No entanto, se você conhecer a capacidade de luta de seus adversários, os tipos de armas que eles têm e assim por diante, terá muito mais condições de entrar na guerra. Do mesmo modo, se você enfrentar seus problemas em vez de os evitar, terá mais condições de lidar com eles.

~ O Treinamento da Mente ~
O método de abordar nossos problemas racionalmente e de aprender a visualizar nossos problemas ou nossos inimigos de perspectivas alternativas sem dúvida parece um objetivo interessante. Mas até que ponto isso poderá realmente produzir uma transformação fundamental da atitude?
Uma das práticas espirituais diárias do Dalai Lama consiste em recitar uma oração, “Oito versos sobre o treinamento da mente”, composta no século XI pelo santo tibetano Langri Thangpa. Em parte, diz a oração:
Sempre que me relacionar com alguém, que eu me considere a criatura mais ínfima de todas e que encare o outro como supremo do fundo do meu coração!…
Quando eu vir seres de natureza perversa, oprimidos por tormentos e pecados violentos, que eu considere de alto valor essas criaturas raras como se tivesse encontrado um precioso tesouro!…
Quando os outros, por inveja, me tratarem mal com insultos, calúnias e atitudes semelhantes, que eu sofra a derrota e ofereça a vitória aos outros!…
Quando aquele, a quem beneficiei com grande esperança, me ferir profundamente, que eu possa encará-lo como meu supremo Guru!
Enfim, que eu possa, direta ou indiretamente, oferecer benefícios e felicidade a todos os seres; que eu em segredo possa assumir nos meus ombros a dor e o sofrimento de todos os seres!…
Através de práticas espirituais, como a recitação dos “Oito versos sobre o treinamento da mente”, o Dalai Lama conseguiu aceitar a realidade da situação de seu país e ainda assim continuar sua campanha ativa pela liberdade e pelos direitos humanos no Tibet por quarenta anos. Ao mesmo tempo, ele manteve uma atitude de humildade e compaixão para com os chineses, que inspirou milhões de pessoas no mundo inteiro. E aqui estamos nós, pensando que sua oração talvez não fosse aplicável às “realidades” do mundo moderno. Então ficamos envergonhados sempre que nos lembramos do que ele passou e passa juntamente com o povo tibetano.

~ Ética para um Novo Milênio ~
Por Sua Santidade, o 14.º Dalai Lama
Riverhead/Agosto de 1999
Um resumo:
Cada uma de nossas ações conscientes e, de certa forma, toda a nossa vida podem ser vistas como resposta à grande pergunta que desafia a todos: “Como posso ser feliz?”
No entanto, estranhamente, minha impressão é que as pessoas que vivem em países de grande desenvolvimento material são de certa forma menos satisfeitas, menos felizes do que as que vivem em países menos desenvolvidos. Esse sofrimento interior está claramente associado a uma confusão cada vez maior sobre o que de fato constitui a moralidade e quais são os seus fundamentos.
A meu ver, criamos uma sociedade em que as pessoas acham cada vez mais difícil demonstrar um mínimo de afeto aos outros. Em vez da noção de comunidade e da sensação de fazer parte de um grupo, encontramos um alto grau de solidão e perda de laços afetivos. O que gera essa situação é a retórica contemporânea de crescimento e desenvolvimento econômico, que reforça intensamente a tendência das pessoas para a competitividade e a inveja.
E com isso vem a percepção da necessidade de manter as aparências por si só uma importante fonte de problemas, tensões e infelicidade. O descaso pela dimensão interior do homem fez com que todos os grandes movimentos dos últimos cem anos ou mais – democracia, liberalismo, socialismo – tenham deixado de produzir os benefícios que deveriam ter proporcionado ao mundo, apesar de tantas idéias maravilhosas.
Meu apelo por uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução religiosa. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano – tais como amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia – que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros. É por isso que às vezes digo que talvez se possa dispensar a religião. O que não se pode dispensar são essas qualidades espirituais básicas.

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OS DIREITOS DO HOMEM NO AMANHECER DO SÉCULO XXI

(Discurso de Sua Santidade o Dalai Lama na Reunião de Paris da UNESCO – Comemoração do 50º Aniversário da Declaração Universal dos direitos do Homem)
O aumento da preocupação a respeito das violações dos direitos humanos é muito encorajadora. Não só nos dá uma perspectiva de alívio a muitos sofrimentos individuais, como é uma indicação do desenvolvimento e do progresso da humanidade. A preocupação pelas violações dos direitos humanos e o esforço para proteger os direitos do homem representam um grande serviço aos povos quer do presente quer das futuras gerações. Desde a Declaração Universal dos Direitos do Homem, há cinquenta anos, por todo o lado as pessoas começaram a compreender a grande importância e o valor dos direitos do homem.

A perspectiva de um Monge Budista
Não sou um perito no domínio dos direitos do homem. Contudo, para um monge Budista, como eu, os direitos de cada ser humano são muito preciosos e importantes. Segundo a crença budista, cada ser sensível tem um espírito cuja natureza fundamental é essencialmente pura e não poluída pelas distorções mentais. Referimo-nos a essa natureza como sendo a semente da Iluminação. Desse ponto de vista, todos os seres podem eventualmente alcançar a perfeição. Também acreditamos que todos os aspectos negativos podem ser removidos do espírito, dado que a sua natureza é pura. Quando a nossa atitude mental é positiva, as ações negativas do corpo, da palavra e do espírito automaticamente cessam. Como todos os seres sensíveis têm semelhante potencial, todos são iguais. Cada um tem o direito de ser feliz e de vencer o sofrimento. O próprio Buda disse que na sua Ordem, nem a raça nem a classe social são importantes. O que é importante é a prática verdadeira de se viver a vida de uma maneira ética.
Enquanto praticantes Budistas, tentamos antes de mais melhorar a nossa conduta do dia a dia. Só sobre essa base podemos começar a desenvolver as práticas do treino mental e da sabedoria. Na minha prática diária de monge Budista tenho de observar muitas regras, mas o tema fundamental de todas elas é o profundo respeito e preocupação pelos direitos dos outros. Os principais votos observados pelos monges e monjas plenamente ordenados incluem não tirar a vida de outros seres, não roubar as suas posses e por aí adiante. Estas regras estão explicitamente relacionadas com o profundo respeito pelos direitos dos outros. É por esta razão que freqüentemente descrevo a essência do Budismo com sendo algo como isto: se puderem, ajudem os outros seres sentientes; se não puderem, pelos menos abstenham-se de lhes fazer mal. Isto revela um profundo respeito pelos outros, pela própria vida e uma preocupação pelo bem estar dos outros.
Apesar de ser muito importante respeitar os direitos naturais dos outros, tendemos a conduzir a nossa vida ao contrário. A razão é que nos falta amor e compaixão. Por conseguinte, mesmo em relação à questão das violações dos direitos humanos e à preocupação pelos direitos do homem, o ponto fulcral é a prática da compaixão, do amor e do perdão. Muito freqüentemente, quando as pessoas ouvem falar de amor e de compaixão, têm o sentimento que isso se relaciona com práticas religiosas. Mas não é necessariamente o caso. Em vez disso, é muito importante reconhecermos que a compaixão e o amor são fundamentais nas relações entre os seres sentientes em geral e os seres humanos em particular.
No início da nossa vida e de novo quando envelhecemos, apreciamos a ajuda e a afeição dos outros. Infelizmente, entre estes dois períodos da nossa vida, quando somos fortes e capazes de cuidar de nós, negligenciamos o valor da afeição e da compaixão. Como a nossa própria vida começa e acaba com a necessidade da afeição, não seria melhor praticarmos a compaixão e o amor pelos outros enquanto somos fortes e capazes?
Apenas ganhamos amigos genuínos quando exprimimos sentimentos humanos sinceros, quando exprimimos respeito pelos outros e preocupação pelos seus direitos. Isto é o que experimentamos claramente na nossa vida quotidiana. Não é necessário ler complicados tratados filosóficos nesse sentido. Na nossa vida de todos os dias, estas coisas são uma realidade. Por conseguinte, a prática da compaixão, a prática da sinceridade e do amor, são fontes essenciais para a nossa própria felicidade e satisfação. Assim que desenvolvemos semelhante atitude altruísta, desenvolvemos automaticamente a preocupação pelo sofrimento dos demais e simultaneamente desenvolvemos a determinação de fazer algo para proteger os direitos dos outros e para nos interessarmos pela sua sorte.

A Universalidade dos Direitos do Homem
Os Direitos do Homem são de interesse universal porque é inerente à natureza humana ansiar pela liberdade, igualdade e dignidade e porque há o direito de as efetivar. Quer queiramos ou não, todos nós nascemos neste mundo como parte de uma grande família humana. Ricos ou pobres, educados ou não, pertencentes a uma nação ou a outra, a uma ou a outra religião, aderindo a esta ou aquela ideologia, em última análise cada um de nós é apenas um ser humano como qualquer outro. Todos desejamos a felicidade e nenhum de nós quer sofrer.
Se aceitarmos que os outros têm o mesmo direito que nós à paz e à felicidade, não teremos a responsabilidade de ajudar os mais necessitados? A aspiração pela democracia e pelo respeito dos direitos humanos fundamentais é tão importante para os povos da África e da Ásia como para os da Europa ou das Américas. Freqüentemente, contudo, são justamente os povos onde os direitos humanos foram suprimidos que estão menos capacitados para falarem de si. A responsabilidade cabe àqueles de nós que usufruem de tais liberdades.
Os abusos dos Direitos do Homem tomam muitas vezes por alvo os membros mais dotados, dedicados e criativos da sociedade. Como resultado, o desenvolvimento político, social, cultural e econômico de uma sociedade são obstruídos pelas violações dos direitos humanos. Por conseguinte, a proteção desses direitos e liberdades são imensamente importantes quer para os indivíduos afetados, quer para o desenvolvimento da sociedade no seu todo.
Alguns governos entenderam que os padrões dos direitos humanos descritos na Declaração Universal dos Direitos do Homem são os advogados pelo Ocidente e não se aplicam à Ásia ou a outras partes do Terceiro Mundo, em função das diferenças de cultura e de desenvolvimento social e econômico. Não partilho deste ponto de vista e estou convencido de que a maioria das pessoas comuns tão pouco o apoia. Creio que os princípios descritos na Declaração Universal dos Direitos do Homem constituem como que uma lei natural que deveria ser seguida por todos os povos e governos.
Além do mais não vejo qualquer contradição entre a necessidade de desenvolvimento econômico e a necessidade de respeitar os direitos do homem. O direito à liberdade de expressão e de associação são vitais para promover o desenvolvimento econômico de um país. No Tibete, por exemplo, há inúmeros exemplos de políticas econômicas inadequadas que foram implantadas e que continuaram muito após terem demonstrado não produzirem benefícios, porque os cidadãos e os agentes governamentais não puderam pronunciar-se contra elas.
Internacionalmente, a nossa rica diversidade de culturas e religiões deveria ajudar a fortalecer os direitos humanos fundamentais em todas as comunidades. A sublinhar esta diversidade estão princípios humanos básicos que nos interligam a todos nós como membros da mesma família humana. No entanto, a mera manutenção das tradições nunca deveria justificar as violações dos direitos humanos. Portanto, a discriminação contra pessoas de raças diferentes, contra as mulheres ou contra os elos mais fracos da sociedade podem ser tradicionais nalguns lugares, mas caso sejam incongruentes com direitos humanos universalmente reconhecidos, essas formas de comportamento devem mudar. O princípio universal da igualdade de todos os seres humanos tem de ser precedente.

A necessidade da Responsabilidade Universal
O mundo está se tornando crescentemente interdependente e é por isso que acredito firmemente na necessidade de se desenvolver um sentido de responsabilidade universal. Precisamos pensar em termos globais, pois o efeito das ações de uma nação são sentidos para muito além das suas fronteiras. A aceitação de padrões de direitos humanos que nos obriguem universalmente, tais como os da Declaração Universal dos Direitos do Homem e da Convenção Internacional dos Direitos do Homem, é essencial no mundo de hoje, cada vez mais pequeno. O respeito pelos direitos humanos fundamentais não deve permanecer um ideal a ser realizado; antes, deve constituir a fundação indispensável de todas as sociedades humanas.
Barreiras artificiais que dividiam nações e povos caíram nos últimos tempos. O sucesso dos movimentos populares no desmantelar da divisão Leste-Oeste, que polarizou o mundo inteiro durante décadas, foi fonte de grandes esperanças e expectativas. Todavia, ainda permanece um enorme abismo no coração da família humana. Com isto refiro-me à divisão Norte-Sul. Se formos sérios no nosso comprometimento aos princípios fundamentais da igualdade, princípios que, creio, estão no âmago do conceito dos direitos humanos, a disparidade econômica atual não pode continuar a ser ignorada. Não basta meramente afirmar que todos os seres humanos devem usufruir de igual dignidade. Isso tem de se traduzir em ações. Temos a responsabilidade de encontrar vias para conseguir uma distribuição mais eqüitativa dos recursos mundiais.
Estamos sendo testemunhas de um vibrante movimento popular para o avanço dos direitos humanos e das liberdades democráticas no mundo. Este movimento tem de tornar-se uma força moral ainda mais poderosa, de modo que mesmo os governos e os exércitos mais obstaculares, sejam incapazes de suprimir. É justo e natural que as nações, povos e indivíduos peçam o respeito dos seus direitos e liberdades e que lutem para acabar com a repressão, o racismo, a exploração econômica, a ocupação militar e as várias formas de colonialismo e dominação estrangeira. Os governos deviam apoiar ativamente tais pedidos, em vez de apenas os apoiarem verbalmente.
Acredito que a falta de compreensão daquilo que é a verdadeira causa da felicidade é a principal razão pela qual as pessoas infligem sofrimento aos outros. Algumas pessoas pensam que causando sofrimento aos outros podem conseguir a sua própria felicidade ou que a sua felicidade própria é de tal modo importante que a dor causada aos outros não tem significado. Contudo esta visão é claramente redutora. Ninguém consegue realmente se beneficiar do mal causado a um outro ser. Seja qual for o benefício imediato ganho às custas de outros, ele é de pouca duração. A longo prazo, causar miséria aos outros e usurpar a sua paz e felicidade, cria ao próprio ansiedade, medo e uma atitude desconfiada. O desenvolvimento do amor e da compaixão pelos outros é essencial para criarmos um mundo melhor e mais pacífico. Isto significa, naturalmente, que temos de desenvolver um interesse pelos nossos pares, irmãos e irmãs, que são menos afortunados do que nós. Por conseguinte, temos o dever moral de ajudar e suportar todos aqueles que presentemente estão privados do exercício dos direitos e liberdades que muitos de nós têm por garantidos.
Enquanto nos aproximamos do fim do século XX, parece-nos que o mundo está se tornando uma comunidade. Juntos, temos sido confrontados com os graves problemas da superpopulação, do declínio dos recursos naturais e da crise ambiental que ameaçam a própria fundação da nossa existência neste planeta. Os direitos do homem, a proteção do meio ambiente e uma maior igualdade social e econômica, estão todos interligados. Acredito que para enfrentar os desafios do nosso tempo, os seres humanos terão de desenvolver um maior sentido de responsabilidade universal. Cada um de nós tem de aprender a trabalhar não só para si, para a sua família ou nação, mas para o benefício de toda a humanidade.
A responsabilidade universal é a chave para a sobrevivência humana. É a melhor garantia para os direitos do homem e para a paz mundial.

OS ALICERCES DA PAZ INTERIOR

Minha mensagem é a prática do amor, da compaixão e da bondade.
Estas qualidades são muito úteis para vivermos nosso cotidiano mais harmoniosamente, e também muito importantes para a sociedade humana como um todo.
Uma profunda compaixão é a raiz de todas as formas de adoração.
Aonde quer que eu vá, sempre aconselho as pessoas a serem altruístas e bondosas.
Tento concentrar toda a minha energia e força espiritual na disseminação da bondade.
É o que há de mais essencial.
A bondade é o que realmente importa.
A bondade, o amor e a compaixão combinados são sentimentos que levam à essência da fraternidade.
São os alicerces da paz interior.
Com sentimentos de ódio e rancor, é muito difícil alcançar a paz interior.
Neste sentido, as religiões e crenças são convergentes.
Em todas as grandes religiões do mundo, a ênfase é no espírito de fraternidade.
São os inimigos que verdadeiramente nos ensinam a vivenciar sentimentos de compaixão e tolerância.
As guerras surgem porque não há compreensão do lado humano das pessoas.
Ao invés de conferências e encontros políticos, por que não convocar as famílias a fazerem um piquenique para que se conheçam mutuamente, enquanto suas crianças brincam juntas?
Nos tempos antigos, quando havia uma guerra, o embate era corpo a corpo.
O vitorioso entrava em contato direto com o sangue e o sofrimento do inimigo durante a batalha. Hoje, as guerras adquiriram uma proporção muito mais horrenda.
Um homem, sentado em uma sala, aperta um botão e mata milhões de pessoas instantaneamente, sem ao menos ver o sofrimento humano que infligiu.
A mecanização da guerra e a automação do conflitos humanos são, cada vez mais, uma ameaça à paz mundial.
Sempre acreditei que a determinação humana e a verdade prevaleceriam sobre a violência e a opressão.
No mundo de hoje, em todos os lugares, há mudanças importantes ocorrendo, que poderão afetar profundamente nosso futuro e o futuro da humanidade, bem como nosso planeta.
Decisões corajosas por parte de vários líderes mundiais propiciam a resolução pacífica de conflitos.
A esperança de haver paz, preservação do meio ambiente e uma abordagem mais humana aos problemas do mundo parece estar mais presente que nunca.
Ninguém pode prever o que acontecerá em algumas décadas ou séculos, por exemplo, qual o impacto que o desflorestamento terá sobre o clima, o solo, as chuvas.
Temos muitos problemas porque as pessoas estão centradas em seus próprios interesses, em ganhar dinheiro e não estão pensando no bem-estar da comunidade como um todo.
Não estão pensando na Terra a longo prazo, e nos efeitos ambientais adversos sobre o homem. Se nós, da atual geração, não refletirmos sobre estas questões agora, as gerações futuras não terão como lidar com elas.
Muitos de nós juntam-se sob o mesmo sol resplandecente, falando línguas diversas, vestindo indumentárias diferentes e até mesmo possuindo crenças distintas.
Contudo, nós todos somos idênticos como seres humanos e individualmente únicos.
Desejamos todos, indistintamente, a felicidade e não o sofrimento.
Mesmo que não possamos resolver certos problemas, não devemos nos frustrar.
Como humanos devemos enfrentar a morte, a velhice e doenças, que, tal qual um furacão, são fenômenos naturais que fogem ao nosso controle.
Devemos enfrentá-los, não podemos evitá-los.
São sofrimentos que já bastam em nossa vida.
Por que criarmos mais problemas por apego à nossa ideologia ou porque pensamos de maneira diferente?
É inútil e triste!
Milhões de pessoas sofrem com esse tipo de problema.
É um verdadeiro desperdício, visto que podemos evitar o sofrimento adotando uma atitude diferente e reconhecendo a humanidade à qual as ideologias deveriam servir.
Rancor, ódio, ciúme: não é possível encontrar a paz com eles.
Podemos resolver muitos de nossos problemas por meio da compaixão e do amor.
Só assim nos desarmaremos e encontraremos a verdadeira felicidade.
Uma das maiores virtudes é a compaixão.
A compaixão não pode ser comprada numa loja de departamentos ou fabricada por máquinas. Ela advém do crescimento interior.
Sem paz de espírito, é impossível haver paz no mundo.
Na nossa vida, cultivar a tolerância é muito importante.
Com tolerância, pode-se facilmente superar as dificuldades.
Caso você tenha pouca ou nenhuma tolerância, ficará irritado com as mínimas coisas.
Em situações difíceis, terá reações extremadas.
Em minha vida, já refleti muito a respeito desta questão e sinto que a tolerância é algo que deve ser praticado no mundo inteiro, no seio da sociedade humana.
Mas, quem nos ensina tolerância?
Pode ser que seus filhos o ensinem a cultivar a paciência, mas é seu inimigo quem irá ensinar-lhe a prática da tolerância.
O inimigo é seu mestre.
Mostre-lhe respeito, ao invés de ódio.
Dessa forma, a verdadeira compaixão irá brotar de seu interior e essa compaixão é a base de tudo aquilo que você é e acredita.
Bens e compensações materiais são absolutamente necessários à sociedade humana, a um país, a uma nação.
Ao mesmo tempo, o progresso material e a prosperidade somente não podem levar à paz interior.
A paz interior vem de dentro.
Portanto, nossa atitude perante a vida, perante os outros e principalmente em relação às nossas dificuldades conta muito.
Quando duas pessoas enfrentam o mesmo problema, atitudes mentais distintas fazem com que o problema seja de mais fácil resolução para uma pessoa do que para outra.
Desta forma, o que realmente nos diferencia é a perspectiva interna de cada um.
Se colocarmos os níveis de consciência mais sutis a nosso serviço, estaremos expandindo nossa mente.
Assim sendo, as virtudes originárias da mente podem se expandir ilimitadamente.
A compaixão e o amor são as virtudes mais preciosas da vida.
Por serem muito simples, são difíceis de serem colocados em prática.
A compaixão só poderá ser plenamente cultivada à medida que se reconhece que cada ser humano é parte da humanidade e pertencente à família humana, independente de religião, raça, cultura, cor e ideologia.
A verdade é que não há diferença alguma entre os seres humanos.
Sem amor, a sociedade humana encontra-se em situação difícil.
Sem amor, iremos enfrentar problemas terríveis no futuro.
O amor é o centro da vida.
Se tiver amor e compaixão por todos os seres sencientes, em especial por seus inimigos, este é o verdadeiro amor e a verdadeira compaixão.
O amor e compaixão, nutridos por seus amigos, esposa e filhos, não são verdadeiros em sua essência.
São apego, e esse tipo de amor não pode ser infinito.Insisto em afirmar que as principais religiões do mundo — budismo, cristianismo, judaísmo, confucionismo, hinduísmo, islamismo, jainismo, sikhismo, taoísmo, zoroastrismo — possuem os mesmos ideais de amor, o mesmo objetivo de beneficiar a humanidade por meio da prática espiritual, e a mesma determinação de aprimorar seus praticantes como seres humanos.
Todas as religiões pregam preceitos morais para o aperfeiçoamento da mente, do corpo e da fala. Todas nos ensinam a não mentir, roubar ou tirar a vida de outras pessoas.
A essência de todos os preceitos morais preconizados pelos grandes mestres da humanidade é o não-egoísmo.
Esses mestres tinham como objetivo remir os praticantes de ações negativas, frutos da ignorância, e conduzi-los ao caminho do bem.
Se percebemos a humanidade como sendo una e singular, iremos constatar que as diferenças são secundárias.
Com atitude de respeito e preocupação pelo próximo, experimentamos a felicidade.
Só assim criamos a verdadeira harmonia e fraternidade.
À sua maneira, tente cultivar a paciência.
Modifique sua atitude.
As mudanças vêm com a prática.
A mente humana tem esse potencial.
Aprenda a treiná-la.
A nossa sombra interior, a que chamamos de ignorância, é a raiz de todo o sofrimento.
Quanto mais luz houver, menos a sombra se manifestará.
A luz é o único caminho para a salvação, para alcançar o nirvana.
Deve haver um equilíbrio entre o progresso espiritual e o material.
Atinge-se esse equilíbrio por meio de princípios calcados no amor e na compaixão.
O amor e a compaixão são a essência de todas as religiões, que têm muito a aprender entre si.
O objetivo primordial de todas as religiões é criar seres humanos mais tolerantes, mais compassivos e menos egoístas.
Os seres humanos são dotados de uma natureza tal que não deveriam apenas possuir bens materiais, mas deveriam antes possuir sustento espiritual.
Sem o sustento espiritual, torna-se difícil adquirir e manter a paz de espírito.
Para cultivar a sabedoria, é preciso força interior.
Sem crescimento interno, é difícil conquistar a autoconfiança e a coragem necessárias.
Sem elas, nossa vida se complica.
O impossível torna-se possível com a força de vontade.

SE HÁ TANTA PAZ…………..

Se há tanta paz…,
Se há tanta paz no azul que o céu abriga,
E há tanto azul que tanto bem nos faz,
Se há tanto azul e há tanto céu, me diga
Por que é que o homem não encontra a paz?
Se há tanta paz no verde-mar da onda
Que faz-se verde e em branco se desfaz,
Se há tanta onda pelo mar, responda:
Por que é que o homem não encontra a paz?
Se há tanta paz no olor das multicores
Flores: orquídeas, rosas, manacás…
Se há tanta paz em cada flor e há tantas flores
Por que é que o homem não encontra a paz?
Se há tanta paz nos cânticos suaves
Que entoam na alvorada os sabiás,
Se há paz num canto de ave e há tantas aves,
Por que é que o homem não encontra a paz?
Se há tanta paz na brisa que desliza
Sobre as folhagens, tímida e fugaz;
Se há tanta paz na brisa e há tanta brisa,
Por que é que o homem não encontra a paz?
Se há tanta paz nas expressões tão mansas
Que ao vir ao mundo uma criança traz,
E cada dia existem mais crianças,
Por que é que o homem não encontra a paz?
Se há tanta paz nos corações com fé
Que atrai o bem e afasta as coisas más,
Então oremos juntos, todos de pé,
Para que o homem encontre um dia a paz!

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Publicado por em março 1, 2011 em Uncategorized

 

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